Desempenho esportivo
Variantes associadas ao tipo de fibra muscular, à resposta ao treino e à recuperação. É a parte do laudo com a evidência mais desigual, e por isso cada cartão leva o seu nível.

As 12 características do seu desempenho, com seu respaldo declarado
Perfil força ↔ resistência
A posição combina as variantes que contribuem para este eixo. A escala é apenas orientativa: as diferenças entre genótipos são pequenas e se sobrepõem muitíssimo entre si.
Seu resumo: 12 características lidas — 1 com respaldo sólido e 11 com menor respaldo. Cada cartão declara seu nível de evidência.
Fadiga muscular precoce
C/CA variante em homozigose causa deficiência de AMP-desaminase, que pode dar fadiga e cãibras com exercício intenso. Você não a carrega.
Tipo de fibra muscular
R/XÉ a variante mais estudada na genética do esporte. O genótipo RR é frequente entre velocistas de elite e o XX entre fundistas, mas a sobreposição é enorme: há campeões olímpicos dos três genótipos. Com R/X o perfil é intermediário e não orienta para nenhum esporte em particular.
Resposta aeróbica ao treinamento
G/AParticipa da produção de mitocôndrias no músculo, que é o que melhora com o treinamento de resistência. O efeito medido é pequeno diante de quanto e como você treina.
Risco de lesão de tendões e ligamentos
C/TAfeta a estrutura do colágeno tipo V, presente em tendões e ligamentos. Foi associada a lesão do ligamento cruzado anterior e a tendinopatia de Aquiles. É uma das poucas coisas desta seção com uma ação concreta por trás: trabalho excêntrico e progressão de cargas cuidadosa, que de todo modo convém fazer com qualquer genótipo.
Cafeína como auxílio ergogênico
A/CEm metabolizadores lentos, a cafeína antes de competir rende menos —e em alguns estudos até piora o desempenho— frente aos metabolizadores rápidos, nos quais de fato funciona. É coerente com o resultado da seção de nutrigenética.
Componente de resistência (ACE)
No evaluableO polimorfismo I/D de ACE é uma inserção de 287 pares de bases, não uma mudança de uma letra. Um array de genotipagem não o vê: requer PCR específica. É reportado mesmo assim porque costuma aparecer nos painéis esportivos comerciais.
Resistência de ligamentos e tendões
G/AA variante do promotor de COL1A1 foi associada a menor risco de ruptura de ligamento cruzado e de luxação de ombro. É uma das poucas associações deste bloco que se replicou em coortes independentes.
Recuperação e inflamação
G/CModula a resposta inflamatória posterior ao exercício, que faz parte do processo de adaptação. A evidência sobre tempos de recuperação é preliminar.
Resposta cardiovascular ao exercício
G/AFoi associada a diferenças na resposta vascular ao exercício e na frequência cardíaca de recuperação. Os estudos são pequenos e nem sempre concordam.
Vasodilatação durante o esforço
T/CFoi associada a menor produção de óxido nítrico e, em alguns trabalhos, a menor desempenho em resistência. A evidência é limitada.
Adaptação à altitude e à falta de oxigênio
C/TFoi descrita como mais frequente em atletas de potência e foi associada a uma resposta diferente ao treinamento em altitude. São estudos pequenos e de populações específicas.
Gasto energético em repouso
A/GFoi associada a um gasto energético em repouso levemente menor e a um pouco mais de dificuldade para perder peso em alguns estudos. O efeito medido é pequeno e a replicação, irregular.
Nenhum estudo demonstrou que conhecer estes genótipos melhore um resultado esportivo, nem que sirva para escolher um esporte ou desenhar um plano de treinamento. Os efeitos individuais são pequenos e ficam encobertos pelo treinamento, o descanso, a alimentação e a técnica. É reportado como material de interesse, não como guia de treinamento — e quem te vender 'o seu esporte ideal segundo o seu DNA' está te vendendo algo que a evidência não respalda.